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Definição de sucesso: porque a tua difere da do teu vizinho

Duas pessoas alcançam exatamente o mesmo objetivo, o mesmo cargo, o mesmo salário, a mesma casa, e uma sente-se realizada enquanto a outra sente um vazio que não sabe explicar. A explicação está em terem medido sucesso por réguas diferentes o tempo todo, não em falta de gratidão.

O que a investigação sobre bem-estar mostra

O psicólogo Ed Diener, uma das figuras mais citadas na investigação sobre bem-estar, definiu em 1984 o conceito de bem-estar subjetivo através de três componentes: a frequência de emoções positivas, a ausência de emoções negativas persistentes, e a avaliação cognitiva que a pessoa faz da própria vida, aquilo a que se chama satisfação com a vida. Fonte: Diener, "Subjective well-being", Psychological Bulletin, 1984 Repara no que falta nesta definição: não há ali nenhuma referência a cargo, património ou reconhecimento externo. O bem-estar mede-se por como a pessoa sente e avalia a própria vida, não pelo que essa vida parece de fora.

O paradoxo do rendimento

Um dos achados mais robustos da investigação de Diener e de outros investigadores do bem-estar é que o rendimento subiu de forma acentuada nos países desenvolvidos ao longo das últimas décadas, sem uma subida proporcional na satisfação média com a vida. O dinheiro ajuda, sobretudo quando cobre necessidades básicas e reduz stress financeiro, mas deixa de render o mesmo depois de um certo ponto. Se sucesso for definido só em termos de rendimento ou património, o alvo desloca-se sempre um pouco mais à frente, porque o referencial também sobe.

Porque comparamos, e com quem

Parte da explicação está numa teoria mais antiga. O psicólogo Leon Festinger propôs em 1954 a teoria da comparação social, segundo a qual avaliamos o nosso próprio valor e sucesso comparando-nos com outras pessoas, sobretudo quando faltam critérios objetivos para saber "como estamos a sair-nos". Fonte: Festinger, "A theory of social comparison processes", Human Relations, 1954 O detalhe importante, confirmado por investigação posterior de Diener e da sua colega Christie Napa Scollon, é que as pessoas escolhem ativamente com quem se comparam. Isso significa que o teu sentimento de sucesso depende tanto do que alcanças como de quem colocas ao lado, muitas vezes sem perceberes que estás a fazer essa escolha.

Sucesso relativo aos teus valores, não aos de outra pessoa

Se o referencial de comparação é escolhido, e não fixo, a pergunta mais útil deixa de ser "estou a ir tão bem como fulano" e passa a ser "isto aproxima-me do que realmente valorizo". Os valores pessoais de cada um, no sentido do modelo de Schwartz, decidem o que conta como sucesso de forma muito mais fiável do que qualquer marcador externo. Para quem valoriza lealdade e relações, sucesso pode parecer-se com uma família presente. Para quem valoriza crescimento e novidade, pode parecer-se com um percurso cheio de recomeços que, de fora, parece instabilidade. Nenhuma das duas leituras está errada, e é por isso que a definição de sucesso de um vizinho raramente serve para ti.

Para levar contigo

Sucesso é uma avaliação pessoal que depende dos teus valores e de com quem escolhes comparar-te, mais do que uma medida universal igual para toda a gente. A definição mais útil vem de perguntares o que realmente valorizas, antes de decidires o que contar como uma vitória.

Perguntas frequentes

O que é o sucesso, do ponto de vista da psicologia?

Não há uma definição única. A investigação sobre bem-estar subjetivo, de Ed Diener, mede antes três componentes: a frequência de emoções positivas, a ausência de emoções negativas persistentes, e a satisfação avaliada com a própria vida. Nenhum destes depende diretamente de cargo ou património.

Mais dinheiro traz mais sucesso e felicidade?

Ajuda até cobrir necessidades e reduzir stress financeiro, mas a investigação mostra que o rendimento subiu muito mais do que a satisfação média com a vida nas últimas décadas. Passado esse ponto, o efeito é bem mais pequeno do que se costuma assumir.

Porque me comparo tanto com os outros?

A teoria da comparação social, de Leon Festinger (1954), explica que usamos outras pessoas como referência quando faltam critérios objetivos para avaliar o nosso próprio desempenho. O detalhe é que escolhemos ativamente com quem nos comparamos, muitas vezes sem dar por isso.

Como defino o meu próprio sucesso?

Partindo dos teus valores pessoais, não dos de outra pessoa. O que conta como sucesso muda consoante valorizas mais lealdade, crescimento, segurança ou liberdade, e é por isso que a definição de outra pessoa raramente encaixa na tua vida.


A Agapone ajuda-te a mapear os teus próprios valores antes de aceitares a definição de sucesso de outra pessoa. Explora a categoria de visão de vida para aprofundar.

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