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Estilos de humor: os 4 do Humor Styles Questionnaire e quais aproximam ou afastam

Há quem use o humor para aproximar as pessoas à sua volta, quem o use para se rir de si próprio até deixar de se levar a sério, e quem o use como arma, para reduzir o outro sem levantar a voz. Todos dizem "tenho sentido de humor", e é precisamente por isso que a frase explica tão pouco. O sentido de humor reúne vários estilos diferentes, e alguns aproximam pessoas enquanto outros as afastam de forma consistente.

O instrumento mais usado para distinguir esses estilos chama-se Humor Styles Questionnaire, criado pelo psicólogo canadiano Rod Martin. Este artigo explica o que mede, de onde vem, o que a psicometria diz sobre a sua validade, e o que a investigação mostra sobre a ligação entre cada estilo e a qualidade de uma relação.

O que mede o Humor Styles Questionnaire

O instrumento cruza duas dimensões. Uma vai do benigno ao potencialmente nocivo: humor que constrói versus humor que fere. A outra vai do próprio ao outro: humor dirigido a ti mesmo versus humor dirigido a quem está à tua volta. Cruzando as duas, chega-se a quatro estilos.

Repara na diferença entre os dois estilos dirigidos a ti próprio. O autopromotor ri-se com a situação; o autodepreciativo ri-se de si mesmo à custa de algo que dói. São frequentemente confundidos porque, vistos de fora, parecem a mesma coisa: alguém a fazer-se de tolo. A intenção e o efeito emocional é que os separam.

De onde vem o instrumento

O Humor Styles Questionnaire foi desenvolvido por Rod Martin e colegas, e publicado em 2003 no Journal of Research in Personality, num artigo que descreve o processo de construção do instrumento e a sua ligação ao bem-estar psicológico00534-2). A equipa notou que a investigação anterior sobre humor tratava o "sentido de humor" como uma coisa única e genericamente positiva, e que essa simplificação não batia certo com a observação comum de que o humor também pode ser usado para ferir ou para disfarçar sofrimento próprio. O questionário nasceu para separar essas funções.

Na prática, consiste em trinta e dois itens, oito por estilo, respondidos numa escala de concordância de sete pontos, do "discordo totalmente" ao "concordo totalmente". É um formato normativo, não de escolha forçada: ao contrário do teste DISC, aqui cada estilo é pontuado de forma independente dos outros três, o que evita o problema estatístico que descrevemos a propósito daquele instrumento.

O que a psicometria diz sobre o teste

Não usar um formato ipsativo resolve um problema, mas não resolve todos. Um estudo de 2017 publicado na Frontiers in Psychology, assinado por Willibald Ruch e Sonja Heintz, testou algo engenhoso: reescreveram os itens do questionário substituindo o conteúdo sobre humor por conteúdo equivalente sem humor nenhum, mantendo a estrutura da frase mas trocando "faço rir" por algo neutro, e assim por diante. Se o questionário estivesse mesmo a medir humor, essa troca deveria destruir a correlação com traços de personalidade e bem-estar. Não foi isso que aconteceu: em três dos quatro estilos, a versão sem humor nenhum continuou a prever praticamente as mesmas coisas que a versão original.

A leitura mais direta é que parte do que estes três estilos medem é outra coisa qualquer, como extroversão ou afeto negativo, disfarçada de item sobre humor só porque a frase menciona rir e fazer rir. Isto não invalida o instrumento por completo, mas pede cautela sobre o que exatamente uma pontuação alta em Agressivo ou Autodepreciativo está a captar: pode ser menos sobre o teu humor especificamente, e mais sobre um traço mais geral que também se manifesta através dele.

Quais estilos aproximam e quais afastam

Esta é a pergunta que interessa a quem está numa relação, e a investigação já tem resposta parcial. Uma meta-análise de 2017 publicada na revista Personal Relationships, com dezenas de estudos sobre humor em relações amorosas, encontrou uma assimetria clara entre os quatro estilos: o humor afiliativo e o autopromotor associam-se de forma consistente a maior satisfação relacional, e o humor autodepreciativo associa-se a menor satisfação e a maior risco de rutura. O humor agressivo teve uma relação mais fraca e inconsistente com o desgaste da relação do que seria de esperar, o que sugere que o contexto, tom e intenção com que é usado pesam tanto como o estilo em si.

Isto ajuda a explicar uma confusão comum. Um casal que troça um do outro com frequência pode parecer, de fora, estar a usar humor agressivo, quando na prática está a fazer humor afiliativo com um verniz de implicância, algo que só funciona porque há confiança de fundo. E um parceiro que se ri constantemente de si mesmo para agradar ao outro, aparentemente inofensivo, pode estar a alimentar o padrão autodepreciativo que a investigação liga a pior satisfação a prazo. O que a etiqueta de fora não mostra é se o humor sai de um lugar de segurança ou de um lugar de medo de desagradar.

Os quatro estilos, lado a lado

EstiloDireçãoValênciaAssociação típica com a relação
AfiliativoPara os outrosBenignaMaior satisfação e proximidade
AutopromotorPara si próprioBenignaMelhor regulação emocional individual, apoia a relação indiretamente
AgressivoPara os outrosNocivaRelação inconsistente com desgaste; depende do contexto
AutodepreciativoPara si próprioNocivaMenor satisfação, maior risco de rutura a prazo

Como usar isto na prática

Três formas concretas de olhar para o teu próprio humor sem tratar o resultado de um teste como veredito.

Repara em quem paga o preço da piada. Se o alvo é sempre o outro e nunca tu, ou sempre tu e nunca o outro, há um desequilíbrio que vale a pena nomear, independentemente do estilo dominante que tenhas.

Distingue rir contigo de rir à tua custa. Um parceiro que se ri das tuas histórias está a fazer humor afiliativo. Um parceiro que só se sente aceite quando se ridiculariza a si próprio pode estar preso ao padrão autodepreciativo, e vale a pena verificar se isso vem de segurança ou de medo de desagradar.

Usa o humor autopromotor como recurso, não como fuga. Rir de uma situação difícil regula a emoção; rir para não falar dela evita o problema. A diferença nota-se em saberes voltar ao assunto sério depois da piada, algo que se cruza com o que já descrevemos a propósito das conversas difíceis na relação.

Esta camada, a de como cada pessoa usa o humor para se aproximar, regular emoções ou evitar assuntos, é parte do que a categoria de conexão da Agapone tenta descrever com mais profundidade do que uma etiqueta de estilo permite sozinha.

Uma nota sobre testes de humor e outros testes de personalidade

O Humor Styles Questionnaire partilha um destino comum com boa parte dos instrumentos que aparecem na categoria mental da Agapone: nasceu de uma observação útil, ganhou décadas de uso, e só depois foi sujeito ao escrutínio metodológico mais exigente que hoje se aplica a um instrumento psicológico. Isto não torna o instrumento inútil: descreve bem um padrão amplo, mas não deve ser lido item a item como medição precisa de um traço isolado.

Para levar contigo

O humor não é uma coisa só. O afiliativo e o autopromotor tendem a aproximar e a regular; o autodepreciativo tende a corroer a satisfação a prazo; o agressivo depende mais do contexto do que os outros três. A crítica de Ruch e Heintz lembra que parte do que o teste mede pode ser outra coisa disfarçada de humor, o que pede humildade antes de tirar conclusões definitivas sobre ti ou sobre alguém a partir de uma pontuação.

Perguntas frequentes

Quais são os 4 estilos de humor do Humor Styles Questionnaire?

Afiliativo, humor benigno dirigido aos outros para criar proximidade; autopromotor, humor benigno dirigido a ti próprio para regular emoções; agressivo, humor nocivo dirigido aos outros como sarcasmo ou troça; e autodepreciativo, humor nocivo dirigido a ti próprio, feito para agradar à custa de ti.

Qual estilo de humor é melhor para uma relação?

O afiliativo e o autopromotor associam-se de forma mais consistente a maior satisfação relacional, segundo uma meta-análise de 2017 na revista Personal Relationships. O autodepreciativo associa-se a menor satisfação e maior risco de rutura, enquanto o agressivo tem uma relação mais fraca e inconsistente com o desgaste, dependendo do contexto em que aparece.

O teste de estilos de humor é fiável?

Um estudo de 2017 de Ruch e Heintz mostrou que, ao substituir o conteúdo sobre humor dos itens por conteúdo equivalente sem humor, três dos quatro estilos continuaram a prever praticamente as mesmas coisas. Isto sugere que parte do que o teste mede pode não ser especificamente humor, mas outro traço, como extroversão ou afeto negativo, disfarçado de item sobre humor.

Qual a diferença entre humor autopromotor e humor autodepreciativo?

Os dois são dirigidos a ti próprio, mas o autopromotor mantém uma perspetiva divertida sobre a tua vida sem custo emocional real, enquanto o autodepreciativo envolve fazer-te de tolo ou deixar que troçem de ti de forma excessiva para seres aceite, com um custo emocional genuíno disfarçado de piada.

Humor agressivo destrói sempre uma relação?

Não de forma consistente. A investigação encontrou uma relação mais fraca e inconsistente entre humor agressivo e desgaste relacional do que os outros estilos negativos, o que sugere que o contexto, o tom e a confiança de fundo entre as pessoas pesam tanto como o estilo em si.


A Agapone lê como usas o humor para te aproximares, te regulares ou evitares assuntos difíceis, ao lado de outras camadas de autoconhecimento, para que essa parte de ti deixe de ser um ponto cego nas tuas relações. Para veres essa leitura em prática, visita a Agapone e explora o teu perfil.

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